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VISUAL ARTV - Plataforma Shop Sui dança dois novos trabalhos no Centro de Referência da Dança

Plataforma Shop Sui dança dois novos trabalhos no Centro de Referência da Dança                                                                                  Foto Leandro Moraes (O Boi Voador)

Em temporada de duas semanas, de 11 a 20/7 (quintas, sextas e sábados, às 19h), a Plataforma Shop Sui apresenta no Centro de Referência da Dança – CRDSP – espetáculo com duas coreografias: a remontagem de “Meu Doce Estimado”, criada originalmente para o Cesta de Dança, projeto da Quasar Companhia de Dança (2012), e o mais recente trabalho, “O Boi Voador”,solo de Fernando Martins, bailarino e diretor da companhia. A entrada é gratuita. “Meu Doce Estimado” fala da relação entre dois indivíduos estagnados pelas dificuldades de comunicação, que os levam para um universo mais visceral onde atitudes humanas e animais se perdem na sua realidade estabelecida. Inspirado em fragmento de texto de Clarice Lispector e em ação da própria escritora, que reescreve seu próprio texto, re-lido entre haspas em outro…

VISUAL ARTV - EXPOSIÇÃO NO BNDES REÚNE VIDA E OBRA DE FERREIRA GULLAR




FERREIRA GULLAR - DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO NO BNDES REÚNE VIDA E OBRA DE FERREIRA GULLAR
Mostra em homenagem aos 85 anos de trajetória do múltiplo artista maranhense terá objetos do acervo pessoal, fotografias, poemas e instalações de arte

Aos 85 anos de idade, Ferreira Gullar poderia muito bem estar apenas administrando sua carreira. Mas o múltiplo artista brasileiro não tem competência para ficar parado. Em seu ateliê, em Copacabana, ele dá palpites, organiza materiais e produz as obras que serão apresentadas numa exposição em sua homenagem, a partir de 11 de maio, na Galeria do BNDES, no Centro do Rio.

Com concepção e realização da Fase 10 Ação Contemporânea e curadoria de Cláudia Ahimsa e Augusto Sérgio Bastos, a exposição traça uma linha cronológica que se inicia no Maranhão e vem até os dias de hoje. Estão reunidos textos, vídeos, livros, objetos, fotografias, pinturas, colagens, letras de canções interpretadas por músicos da MPB e um trabalho inédito, criado em 1959, e nunca apresentado ao público: o Poema Enterrado. Trata-se de uma instalação em madeira, com três metros de altura, por onde o visitante poderá entrar.

Ao ver o projeto publicado em 1959 no Jornal do Brasil, Hélio Oiticica telefonou entusiasmado para Gullar, propondo realizá-lo no quintal da nova casa da família que seu pai estava construindo na Gávea Pequena. Perguntou se estava de acordo, e Gullar disse que sim, mas não tinha certeza de que seu pai fosse da mesma opinião. Não o era, mas Hélio insistiu, caiu doente e o pai se rendeu: admitiu construir o poema no lugar destinado à caixa-d’água. Num domingo, meses depois, todo o estado-maior neoconcreto estava lá para inaugurar o primeiro poema com endereço da literatura mundial. “Sucede que havia chovido muito na véspera e, ao abrirem a porta do poema, verificaram que havia dentro dois palmos d’água e que os cubos flutuavam. Assim, o poema virou caixa-d’água, parecia ser o seu destino”, lembra Gullar.

A exposição contará, ainda, com uma reprodução do ateliê do poeta, num espaço onde o visitante poderá sentar e ler os livros publicados por ele. Um painel de 37 metros apresentará documentos, fotografias, pensamentos, manifestos e datas importantes, como a publicação de seu primeiro livro (1949), o ingresso no Jornal do Brasil (1956), a idealização do movimento Neoconcreto (1959), a criação do Livro Poema (1959), sua prisão na Ditadura (1968), o exílio para o Chile (1973), a publicação do Poema sujo, um dos principais poemas da língua portuguesa (1976), a posse na Academia Brasileira de Letras (2014) e a nova e atual produção em artes plásticas, com colagens em relevo, realizadas em metal e aço. 

Será apresentado um ensaio inédito realizado pelo fotógrafo Marcelo Magalhães no ateliê do artista e, também, uma entrevista em vídeo, feita especialmente para o projeto, que será exibida em quatro monitores. A mostra será dividida em quatro segmentos: "1930 – 1951| Gullar em São Luís do Maranhão"; “1951 – 1961|Gullar e as experiências de vanguarda";  "1961 – 1980|Gullar e o engajamento político e social"; “1980 – 2016|Gullar em tempos de reinvenção”. Há imagens impactantes com a família, com o uniforme da escola e ao lado de Vinicius de Moraes e Oscar Niemeyer.

A exposição mostrará um Gullar multifacetado, mas com ênfase no humor, lado pouco explorado nas abordagens feitas sobre o poeta. Nesse sentido, dentre outras, serão reunidas caricaturas de diversos grandes artistas brasileiros. Haverá, ainda, um núcleo dedicado a crianças, uma vez que Gullar possui um segmento de sua obra dedicado a público infanto-juvenil. Áudios de poemas declamados e canções escritas pelo autor, assim como móveis impressos com poemas e livros-objetos também fazem parte do projeto da Fase 10 Ação Contemporânea, que ganhou o primeiro lugar no edital de ocupação da Galeria 2015-2016 do BNDES. “Nosso desafio é expor em poucos metros quadrados uma vida inteira que se desdobra em múltiplas facetas”, resumem os curadores Cláudia Ahimsa e Augusto Sérgio Bastos


Mais sobre Ferreira Gullar
Batizado como José de Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930. É poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta. Aos 19 anos, publicou com recursos próprios seu primeiro livro de poesia, Um pouco acima do chão, e dois anos mais tarde mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade em que mora até hoje. Colaborou para jornais e revistas, escreveu peças de teatro, letras de músicas, diversos ensaios e publicou algumas das mais importantes obras da poesia brasileira como o Poema sujo, escrito na década 1970, período em que esteve exilado, e os livros A luta corporal (1954), Dentro da noite veloz (1975), Na vertigem do dia (1980), Barulhos (1987) e Muitas vozes (1999). Em 2010, ganhou o Prêmio Camões pelo conjunto de sua obra. Em 2012, as ilustrações que fez para seu livro Bananas podres deu a Gullar o Prêmio Jabuti, o primeiro que ganhou como ilustrador.

Serviço
Título: Ferreira Gullar
Local: Galeria BNDES
Espaço Cultural BNDES, Av. República do Chile, 100.
Inauguração: 10 de maio, das 18h às 21h
Período: 11 de maio a 1º de julho de 2016
Visitação: de 2ª a 6ª, das 10h às 19h.
Entrada franca

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